A primeira crise de euforia

Eu me sentia incrível! Uma sequência de três anos com três promoções no trabalho inflavam a minha auto-confiança. Não tinha dúvida que minha intuição estava certa. E foi assim que, aos 23 anos e ganhando 2,5k, larguei meu excelente emprego e dei início a uma crise que se arrastaria por um ano, que faria eu perder minha parceira temporariamente e recomeçar minha carreira do zero .

Na época eu nem sabia o que era TAB – Transtorno Afetivo Bipolar. Tinha algumas crises depressivas mas já buscava ajuda. Fazia terapia semanalmente e passava regularmente com um psiquiatra. Tinha acabado de sair do meu primeiro casamento. Além disso possuía um histórico de uso de drogas . Ou seja, tinha alguns problemas mas achava que estava tudo sob controle.

Foi então que meu psiquiatra me receitou fluoxetina. Esse remédio tirava o meu apetite e ajudava a emagrecer. Em pouco tempo já tomava uma dose mais alta que ele tinha prescrito e atingia uma ótima forma física, o que reforçava ainda mais minha auto-estima. Só não sabia que ele seria o grande vilão químico para o meu problema.

Foi nesta época que tinha sido promovido a executivo de relacionamento em uma grande seguradora. Um cargo de responsabilidade no qual tinha que administrar uma carteira de clientes insatisfeitos de uma recente aquisição da Cia.

Eu era jovem e a pressão era grande. Todos os fatores estavam colaborando para uma tragédia. E foi quando apareceu uma rota de fuga. Eu não sabia como lidar com tudo aquilo e um amigo me apresentou uma empresa de marketing multinível que prometia mundos e fundos… e era o que faltava para eu tomar umas das decisões mais equivocadas da minha vida: pedir demissão do meu emprego.

Talvez você não faça ideia do que se passa na cabeça de um bipolar em estado de Euforia, ou talvez tenha essa noção. Eu realmente estava insano mas conseguia convencer todos a minha volta que essa era a melhor decisão e eu tinha todos os argumentos para isso. Na minha mente não havia uma brecha sequer que fizesse eu questionar ou tomar uma posição mais sensata.

E o que aconteceu em seguida foi erros seguidos de mais erros. Em um mês eu já tinha mudado novamente de empresa. Mais um mês eu me mudei de São Paulo para o Rio de Janeiro. Depois de quatro meses eu já estava em Minas Gerais e quando me dei conta estava com viagem marcada para Manaus com planos para ir a Venezuela e Colômbia. Loucura, não? Ah… sem contar que gastei 4k em dois dias de compras inúteis para essa viagem.

Neste meio tempo eu já tinha perdido minha parceira,  mas ela resolveu me ligar quando soube que eu iria viajar. E foi aí que minha ficha caiu. Eu realmente precisava de tratamento. Voltei para São Paulo e procurei a CAPS – Centro de Atenção Psicossocial no qual fui diagnosticado com o Transtorno Bipolar e iniciei meu tratamento.

É claro que esse não é o fim da história. Esse foi apenas o início de uma saga que pretendo compartilhar para ajudar pessoas bipolares e seus familiares a lidarem de forma mais funcional com esse problema e assim terem uma vida de maior qualidade.

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